sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Êxodo

Artigo: Aniversário da Bienal terá Damien Hirst e Jeff Koons
Jornal: Folha.com – Ilustrada
Jornalista: Fabio Cypriano
Data: 10/09/2010


"Buscamos um museu que tivesse uma ótima coleção de arte contemporânea, pois a vocação da Bienal é apresentar o que acontece hoje."
Heitor Martins


Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal, já iniciou os preparativos para festa dos 60 anos da Bienal de São Paulo, em 2011. A mostra ocorrerá entre outubro e dezembro de 2011 e contará com alguns dos artistas estelares da produção contemporânea, como o inglês Damien Hirst e os norte-americanos Jeff Koons e Matthew Barney.

Tudo seria melhor se esse não fosse o período que a 9ª Bienal de Arquitetura ocuparia. Segundo Rosana Ferrari, presidente da seção paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil, há três meses tenta falar com Heitor, mas foi informada apenas por carta de que perdeu o espaço.

Mas contemporaneamente, o que importa é importar, e mesmo depois de tantos aniversários, o êxodo para a terra prometida ainda sofre crises que envolvem tiranos, bezerros, ouro e estrelas.

Cale-se!

Artigo: Selo ressuscita compactos para lançar novos artistas
Jornal: Folha.com – Ilustrada
Jornalista: Marcus Preto
Data: 01/09/2010


“A idéia é agregar de novo o valor de souvenir à música - arte que vem sendo cada vez mais desvinculada do objeto a partir da era do mp3. Música, paga ou gratuita, anda por si só e está sempre à mão do ouvinte. O vinil é algo palpável, que precisa ser comprado na loja. E isso acaba trazendo outro sentido ao ato da compra, da pesquisa, da audição.”
Rafael Ramos


Rafael Ramos, produtor e diretor artístico da gravadora Deckdisc, criou o selo Vigilante, que pretende reeditar e readaptar o conceito de compacto para os tempos atuais e em escala industrial.

Se hoje há algo que podemos comemorar é a liberdade que a arte pode alcançar quando utiliza os meios de comunicação em seu benefício. Muitos artistas abriram mão da materialidade em favor da democratização de sua obra.

Mas será que toda liberdade é passível de opressão? Todo clamor é passível de selo? Será que para ouvir, seremos submetidos ao silêncio diante das “coleçõezinhas de plástico”?

Inaugurando Significados

Artigo: Homem Objeto
Jornal: Folha de São Paulo – Ilustrada
Jornalista: Marcos Flamínio Peres
Data: 24/08/2010


“Eu me sinto ofendido quando entro em uma exposição e sinto que o artista quer me dizer aquilo que devo achar sobre sua obra.”
Waltercio Caldas


O artista brasileiro Waltercio Caldas defendendo uma poética radical, ataca o que chama de “populismo de vanguarda” e afirma que a principal característica de todo objeto de arte é que ele sempre surge para nós pela primeira vez. Seu trabalho que privilegia o objeto e aceita a palavra apenas como integração, nunca como descrição, tem como suporte fundamental a subjetividade.

A necessidade de oferta está ligada à de procura, e como “o cliente sempre tem razão”, no mercado da arte, como em qualquer outro, vende o que de alguma forma agrada, mas ainda nos resta a esperança da integridade.

Waltercio ao eleger a forma como elemento principal de sua arte, não cria objetos ocos, como os integrantes do “populismo de vanguarda”, tampouco considera apenas a exterioridade ou aparência estética. Pelo contrário, o artista presenteia o observador com a possibilidade de inaugurar sua obra e construir seus próprios significados.

Integração Exclusiva

Artigo: Editor fala sobre publicações de arte na era do iPad
Jornal: Folha.com – Ilustrada
Jornalista: Fernanda Mena
Data: 18/08/2010


“Antes, o editor de uma publicação desenhava como seria a experiência do leitor. Com a publicação digital, ele pode até sugerir uma maneira de olhar aquele conteúdo, mas haverá abertura para muitas outras possibilidades.”
Julius Wiedemann


O brasileiro Julius Wiedemann há dez anos trabalha na Editora Taschen e acredita que o futuro das publicações impressas está comprometido, mas quando o assunto é arte digital, os meios físicos são tradicionalmente valorizados, e a transferência dessa idéia para algo virtual ainda deve demorar um pouco para ser assimilada, reconhecida e valorizada.

Em mundo cada vez menor, a distância do essencial só cresce. O advento virtual com suas pretensões de globalização vive o paradoxo da integração exclusiva.

Temos acesso a todas grandes bibliotecas, mas não folheamos seus livros, podemos nos comunicar com pessoas de qualquer lugar do mundo, mas não as abraçamos.

Até o sexo virtual já foi sancionado, mas obra de arte não? O que nos conforta é que quando a única atividade intelectual reflexiva que nos restar for a televisão, o sinal será digital e de alta definição.

Sinto-me Múltipla

Exposição: Fernando Pessoa, Plural Como o Universo
Local: Museu da Língua Portuguesa
Período: De 24/08/2010 a 30/01/2011


A exposição reúne poemas impressos e projetados, fac-símiles de documentos, imagens de Fernando Pessoa e quadros de pintores portugueses, dispostos em labirintos que remetem às suas múltiplas personalidades.

O aparato tecnológico cria um ambiente extasiante, em uma experiência multissensorial somos envolvidos em palavras, poesias, luzes e canções. Dos muitos espaços interativos, o destaque, sem dúvida, é para a sala que projeta poemas em nosso corpo, ao mesmo tempo em que são refletidos por espelhos e narrados cadenciadamente por uma voz feminina.

Mais que a obra de um grande artista, a mostra nos permite evocar o imaterial, enquanto  nos  deliciamos no universo dos múltiplos, refletimos no indivisível, e nos elevamos ao clamor silencioso da pluralidade de suas palavras.

Ao Som do Din-Din

Exposição: 27ª Feira Internacional da Música - Expomusic 2010
Local: Expo Center Norte
Período: De 22/09/2010 a 26/09/2010


Neste ano, o evento mais significativo do segmento musical na América Latina, patrocinado pela Associação Brasileira da Música (Abemúsica) e realizado pela Francal Feiras, contou com duzentos expositores de instrumentos musicais, acessórios e iluminação e um público de mais de cinquenta mil pessoas.

Longe de ser um acontecimento artístico, embora assim se autodenomine, a feira abrigou apresentações musicais e workshops, que apesar das boas intenções, visavam, mais que qualquer outra coisa, promover os produtos dos expositores.

Contudo, quando conscientes dessa realidade, enfrentamos os lotados corredores do Expo Center Norte, podemos, além de desafiar nosso desejo de consumo, adquirir interessantes ferramentas para nossa prática artística.

A Bordo de Iole

Exposição: Iole de Freitas
Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo
Período: De 24/07/2010 a 31/07/2011


A obra é composta por cinco placas translúcidas e retorcidas de policarbonato, suspensas por barras de aço que cruzam o primeiro e o segundo andares do museu.

A tensão estabelecida pela oposição da natureza dos materiais utilizados pela artista, a rigidez das barras de aço rendida à flexibilidade do policarbonato, repercute na relação do espaço da Pinacoteca com a instalação, a severa arquitetura rendida à sinuosidade da obra.

Através do trabalho descobrimos novas perspectivas, revisitamos o museu e estabelecemos novas experiências.  A bordo de iole navegamos, mais uma vez, pela imensidão de possibilidades do oceano da arte.